segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Multidão!


Albatroz
Originally uploaded by CARNEIRO.

Assim que muitos homens se encontram juntos, perdem-se...

Nas multidões, a união é constituída pelos inferiores e fundada nas partes inferiores de todas as almas. São florestas em que os ramos altos não se entrelaçam, mas apenas, em baixo na escuridão, as raízes terrosas.

Todos perdem o que os torna diferentes e melhores, enquanto o antigo rústico - que, entre obstáculos, mordaças e açaimos, parecia aniquilado - acorda e muge.

Em todas as multidões, como em toda a Humanidade, os medíocres são infinitamente mais que os grandes, os calmos que os violentos, os simples que os profundos, os primitivos que os civilizados, e é a maioria que cria a alma comum que imbrica e nivela todo o agrupamento de homens.
Aquele que em cada um forma o seu superior não pode conformar-se e fundir-se - é a pessoa única e, portanto, incomunicável.

Mas há em cada um de nós, mesmo no maior, um eu inferior, antiquíssimo, bestial, infantil, esquecido, renegado, oculto, refreado - amortecido, mas não morto. Quando os homens se reúnem, o eu superior anula-se e os inferiores, despertados, reconhecem-se e assumem a supremacia.

Nenhum génio se assemelha a outro, mas todos os medíocres são cópias.

A altura separa, a baixeza reúne.

1 comentário:

Anónimo disse...

Às vezes sinto-me sozinha no meio da multidão! C*